quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Poluição e degradação no ecossistema do entorno dos rios Ipitanga, Joanes e Paraguaçu são ameaças para o abastecimento de água potável


Em meio a um cenário de escassez de água em grandes capitais brasileiras, além da diminuição das chuvas e do próprio aumento da temperatura global, Salvador acende o sinal de alerta para a questão hídrica. Embora a situação da capital baiana não seja de crise – como em São Paulo -, pois os reservatórios que a abastecem estão com pelos menos 70% da capacidade, problemas ambientais ameaçam os rios – e, consequentemente, as represas, que, a longo prazo, podem ser afetadas caso soluções não sejam tomadas.

O rio Paraguaçu – responsável por 60% do abastecimento em Salvador e região metropolitana (RMS) – tem tido redução do volume de água, causada por desmatamentos, incêndios florestais e destruição de matas ciliares.

O Joanes e o Ipitanga, que respondem pelos outros 40% do fornecimento de água na capital e RMS, enfrentam a poluição causada por descarte irregular de lixo e esgoto. O Joanes ainda tem o equilíbrio comprometido pela extração ilegal de areia.

O secretário estadual do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, diz que a situação hídrica na capital baiana é equilibrada. Segundo ele, o estado está ciente de todos os problemas e tem realizado políticas no sentido de resolvê-los e reverter a situação.

Reservatórios

Na última semana, o Jornal A Tarde com uma equipe de reportagem visitou os reservatórios de Pedra do Cavalo e Joanes II – alimentados pelos rios Paraguaçu e Joanes, respectivamente -, acompanhada por técnicos da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). A reportagem também foi a trechos dos rios Paraguaçu, Joanes e Ipitanga.

A Embasa ressalta que a RMS não tem problema de produção de água. “Existe a disponibilidade de utilização de 54 mil litros por segundo (l/s) para um horizonte acima do ano 2050″, destaca a empresa. Atualmente, a demanda da RMS é de 15 mil l/s.

Responsável pela manutenção de ambos os reservatórios, o técnico Jorge Prazeres diz que uma vantagem do sistema de reservatórios de Salvador é ser integrado, ao contrário de São Paulo. “A integração permite que um reservatório auxilie o outro. A barragem de Santa Helena (alimentada pelo rio Jacuípe), por exemplo, manda água para a Joanes II sempre que é preciso”, explica.


No reservatório Joanes II, é possível observar que o nível de água está cerca de um metro abaixo de sua capacidade. A barragem de Pedra do Cavalo está com 113 metros acima do nível do mar – o máximo é de 125 metros.

A reportagem também observou que em alguns trechos, o rio Joanes enfrenta um processo de assoreamento, como na ponte da rodovia BA-535 (via Parafuso). O pescador Josivan Silva, 40, diz que o rio Ipitanga tem abundância de tucunarés (espécie muito popular na pesca esportiva). “Mas os peixes estão acabando, porque o rio está muito sujo. Hoje, não dá mais para tomar banho nele”, conta Silva, que mora em Simões Filho.

Fonte: A Tarde

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