
Vereadora Ana Rita Tavares acompanha as guardiãs Camila do Carmo e Aline Brito, moradoras da comunidade do Jaíba em Areia Branca
Os moradores de Areia Branca, nas proximidades da Estrada do Trabalhador, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), estão assustados com a morte de animais na área, nos últimos dois meses, cujas causas vão desde envenenamento a execução.
A última vítima foi a cadela Mel, mestiça de pastor, morta após ser arrastada pelo pescoço amarrado por um barbante, pelo caminhão baú placa PJG-6975 por, pelo menos, quatro quilômetros.
Os principais suspeitos são o PM aposentado de prenome Nélio, dono do caminhão de fretes da empresa Disk Ins, e o mecânico de veículos de prenome Euvaldo, que chegaram a ser abordados por policiais militares e confessaram ter jogado o corpo do animal num monte de lixo, alegando que a cadela estava morta.
A morte do animal, entretanto, foi presenciada pela moradora Diva e por seu filho de 14 anos. O jovem chegou a ser ameaçado por Euvaldo.
Segundo as donas da cadela, a vendedora Camila Maria do Carmo e a fotógrafa Aline Brito dos Santos, que prestaram a queixa nº 5599/2015, na Delegacia de Itinga, e estiveram na redação de A TARDE acompanhadas da vereadora Ana Rita Tavares, o animal tinha cerca de um ano e estava prestes a ter filhotes.
No sábado pela manhã, ela se deitou a beira de uma estrada de chão, próxima a casa das suas donas, num local onde habitualmente ficava. As testemunhas viram apenas quando Mel estava sendo arrastada, gritaram para os ocupantes do caminhão, mas este não parou.
Somente após a chegada dos policiais, os dois homens admitiram disserem ontem estaria o corpo do animal e disseram que fizeram um favor às proprietárias. Estas resgataram o animal, que ainda estava com um pedaço de fio elétrico enrolado no pescoço e com marcas de esfoladuras nas pernas, e o enterraram, tendo em seguida se dirigido para a delegacia de Itinga, onde foram orientadas a retornar nesta segunda-feira, dia 14.
Há cerca de um mês, a cadela Carol foi morta por esfaqueamento, mas a autoria não foi descoberta. Além disso, diversos animais já foram envenenados na mesma região.
Mel tinha pouco mais de um ano e estava às vésperas do parto
(Foto: Arquivo Pessoal)
Camila e Aline adotaram Mel quando ela ainda era um filhote, há cerca de um ano. A cadela vivia abandonada em uma obra e elas tiveram conhecimento do filhote através de uma postagem no Facebook. "As informações que temos é de que a cadela era dócil e muito querida por todos na rua", disse a delegada ao CORREIO.
Toda a ação da dupla, que mora na mesma localidade das guardiãs da cadela, foi presenciada por um adolescente de 14 anos, que deve ser ouvido pela delegacia nesta quinta-feira (17). "Ele [o adolescente] saiu gritando e pedindo que os dois parassem o caminhão. O menino foi correndo e avisou a Camila que a Mel tinha sido arrastada de forma brutal", conta a vereadora Ana Rita Tavares, que representa as guardiãs da cadela no processo.
Camila e Aline chegaram a solicitar uma guarnição da 81 ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Itinga) e identificaram os autores do crime. Conforme as guardiãs da cadela, os dois chegaram inclusive a confirmar o crime aos militares, mas não foram levados à delegacia. As duas afirmam que os PMs alegaram que a situação era apenas uma desavença e poderia ser resolvida no próprio local entre os envolvidos.
"Quando elas insistiram em abrir uma ocorrência, os PMs disseram que não adiantaria porque a delegacia estava sem delegado de plantão nos fins de semana", conta a advogada. Segundo Tavares, os agressores se defenderam afirmando que a cachorra já estava morta e que eles apenas iriam jogá-la no lixo. Entretanto, o adolescente que presenciou a cena afirma que a cadela ainda estava viva quando foi arrastada. "Parece que a mãe do adolescente também presenciou o crime", afirma a delegada.
Corpo da cadela foi encontrado em um lixão, no bairro de Areia Branca, em Lauro de Freitas
(Foto: Divulgação)
Conforme a advogada, o corpo da cachorrinha foi encontrado dentro de um buraco em um lixão também localizado no bairro de Areia Branca. Ainda no sábado, Camila e Aline foram com a advogada registrar a ocorrência na delegacia.
De acordo com Franca, os dois suspeitos devem prestar depoimento na sexta-feira (18), no período da manhã. Conforme a delegada, o inquérito deve ser concluído de forma rápida. "A gente deve concluir o inquérito já na semana que vem e mandar encaminhar para o juizado", afirma.
Ameaças: Segundo a vereadora e advogada Ana Rita Tavares, as guardiãs da cadela e o adolescente que presenciou o crime receberam ameaças dos suspeitos. "O adolcescente está traumatizado depois de ver aquela cena. E eles estão com medo de aparecer até porque sofreram ameaças", afirma a advogada.
A delegada Elaine Franca afirmou que vai investigar se os acusados realmente ameaçaram às vítimas e o adolescente. "Vamos apurar também se houve realmente essa ameaça às donas e ao adolescente", enfatiza Franca. Ela conta também que já solicitou a identificação da guarnição da PM que prestou o atendimento às donas da cadela. "Queremos descobrir o porquê da ocorrência não ter sido acionada na delegacia", explica a delegada.
Veículo utilizado para cometer o crime
(Foto: Divulgação)
Até o momento, apenas as guardiãs da cadelinha foram ouvidas pela delegada. O adolescente e a mãe devem prestar depoimento na quinta-feira (17). "Estamos esperando um laudo também para confirmar que a Mel realmente estava prenhe, mas ela era bem conhecida na rua e todos sabiam da situação dela", esclarece.
Caso confirmada a autoria do crime, Nélio e Erivaldo devem responder por maus tratos a animais.
Repercussão: A vereadora e advogada Ana Rita Tavares afirmou que vai levar o caso a CPI dos Animais, em Brasília. Além disso, a vereadora pretende mandar uma denúncia para a Frente Parlamentar dos Deputados da Câmara Federal para que o caso ganhe uma repercussão nacional.
"Queremos que a Frente Parlamentar cobre do comandante-geral da PM que oriente os seus subordinados para que em casos como esse os militares possam cumprir a lei e os suspeitos serem conduzidos para a delegacia", esclarece Tavares. A vereadora critica a ação dos PMs. "Eles sequer identificaram os infratores, simplesmente não houve isso. Houve descaso, apesar do crime de maus-tratos", afirma.
Caso a vereadora envie realmente a denúncia, esse será o terceiro caso de maus tratos recebido pela Frente Parlamentar apenas nesse ano de 2015. O último aconteceu no mês de junho, quando um buldogue francês de quatro anos foi morto a tiros, no município de Teixeira de Freitas. O autor dos disparos foi o vizinho da dona do buldogue, um tenente da Polícia Militar, identificado como Wilson Pedro dos Santos Júnior, de 40 anos, exonerado pelo Governo do Estado em processo administrativo pelo crime.
Fontes: A Tarde e Correio da Bahia
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