Quase cem profissionais atuaram em simulações de afogamento e outras situações de resgate no mar
A praia de Jaguaribe, em Salvador, recebeu o 2º Campeonato Baiano de Salvamento Aquático na manhã desta quarta-feira (19). Segundo a Associação Baiana de Salvamento Aquático (Abasa), uma das organizadoras do campeonato, os dois dias de evento reuniram 98 competidores. O campeonato é promovido em parceria com a Coordenadoria de Salvamento Aquático (Salvamar) e o Grupamento de Bombeiros Militar (Gmar). A distância da largada até o local em que a situação de perigo era simulada por outros salva-vidas foi de 120 metros e, em média, cada prova durou cinco minutos.
“Nosso grande objetivo é integrar as equipes de todo o estado”, destacou o chefe de treinamento do Salvamar, Rui Silva. “Uma situação real de salvamento exige agilidade e condicionamento físico e a competição simula isso”, afirmou o major Rogério Cerqueira, do Gmar. Na praia, nesta quarta, o que se percebia era que o incentivo vinha além da boa forma. Gritos, abraços, exibição dos músculos e amparo para ajudar os colegas que saíam da água com dificuldade de respirar demonstravam o entusiasmo das equipes.
A distância da largada até o local em que a situação de perigo era simulada por outros salva-vidas foi de 120 metros e, em média, cada prova durou cinco minutos (Foto: Betto Jr/CORREIO )
Na terça-feira (18), a prova foi de mil metros de nado contra a correnteza. Nesta quarta-feira (19), as provas se dividiram em duas modalidades: salvamento com o uso de pranchões e com Rescue Tube, os populares salsichões.
Jaguari Andrade, o competidor mais velho, com 53 anos de idade e mais de 20 de salvamento aquático, mesmo ficando em terceiro lugar na prova de salvamento com rescue tube (flutuador), foi carregado pelos colegas. “Muitos anos de trabalho, por isso essa festa toda”, explica Jaguari. “É uma profissão de emoção. Eu lembro que aqui nessa praia eu fiz um salvamento uma vez de duas meninas, uma delas estava grávida. Ela me pedia para não morrer e parar para pensar que foram três vidas salvas...”, lembrou Jaguari.
Modalidades
Nesta terça (18), a prova foi de mil metros de nado contra a correnteza. Hoje (19), as provas se dividiram em duas modalidades: salvamento com o uso de pranchões e com rescue tube, os populares salsichões. Os grupos foram divididos por idade.
Dentro da categoria mais competitiva de salvamento, de 20 a 25 anos, venceu nas duas modalidades o socorrista Ricardo Lacet, que é da empresa de salvamento Tatankas Segurança Aquática, Campeão Brasileiro (2014) e agora bicampeão baiano. “Treino constante com os colegas e foco”, explicou sobre a vitória. Ele, junto com outros representantes baianos que serão definidos a partir da competição desta quarta, participam no início de novembro, em Curitiba, do Campeonato Brasileiro de Salvamento.
A praia que foi local de competição estava calmamente perigosa. Sim, para os competidores o trecho de Jaguaribe oferece perigo para os banhistas mesmo em dias de ondas baixas. “Aqui ocorre muito afogamento principalmente por conta da variação do terreno”, alerta o socorrista Alan Santiago, 27 anos, vencedor da categoria B (25 a 30 anos).
Segundo salva-vidas ouvidos pelo CORREIO, em Jaguaribe chega a 60 o número de atendimentos nos finais de semana, principalmente no trecho em frente ao mirante. “Teve um dia que estávamos fazendo um treinamento no mirante e houve mais de uma situação de salvamento”, lembra Geraldo Costa Jr., da equipe do Salvamar e vice-presidente da Associação.
Alan explica que vencer a prova significa conseguir um bom desempenho em um conjunto de fatores: o que eles chamam de “reação” (o impulso para perceber que há uma vítima em perigo e ir para o mar), corrida e natação. É nesse último que o salva-vidas de Lauro de Freitas e representante do grupo de amigos de salvamento Pinaúna se garante, como ele (que é competidor de natação) outros competidores de hoje também costumam competir em outras modalidades.
Vencedora da única categoria feminina, Edvânia Fernandes é salva-vidas da Salvamar em Jaguaribe e já competiu mais de uma vez na travessia Salvador-Mar Grande. Para ela, o espírito esportivo é importante para a profissão. “Senão você vira vítima também”, diz ela, que começou a apostar nas competições depois que se viu em uma situação de perigo por conta do que classifica com um baixo condicionamento físico.
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