Por Agência Brasil
O número de mortes de adolescentes devido a aids triplicou nos últimos 15 anos, segundo um relatório do Fundo da ONU para a Infância (Unicef), divulgado nesta sexta-feira (27) na África do Sul.
O documento, intitulado Atualização das Estatísticas sobre Crianças Adolescentes e Aids, diz que a doença é a “principal causa de morte de adolescentes na África e a segunda no mundo”.
“Entre as populações afetadas pelo HIV, a faixa formada por adolescentes e a única na qual os números da mortalidade não estão diminuindo”.
O relatório mostra também que a África Subsaariana é a “região com maior prevalência” e que as “jovens são de longe as mais afetadas, representando sete em cada dez novas infeções na faixa que têm entre 15 e 19 anos”.
“É crucial que os jovens seropositivos tenham acesso a tratamento, cuidados e apoio”, afirmou Craig McClure, responsável pelos programas globais da Unicef para HIV/Aids.
O levantamento indica que dos “2,6 milhões de crianças menores de 15 anos que vivem com HIV, apenas uma em cada três está a receber tratamento”.
As novas estatísticas demonstram que a maior parte dos adolescentes que morrem de doenças relacionadas com a aids foram infetados há 10 ou 15 anos. “Essas crianças sobreviveram até a adolescência, por vezes sem conhecer o seu estado em termos de HIV”, diz o documento.
Aumenta número de adolescentes infectados pela AIDS
Dados da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS) apontam que os casos de Adis em adolescentes de 15 a 19 anos dobraram em relação ao passado. Entre janeiro e setembro deste ano, foram registrados 22 novos casos da doença na faixa etária ante 11 ocorridos em 2013. Também houve aumento de novos casos de Aids em pessoas de 50 a 64 anos, com 69 casos (de janeiro a setembro de 2013) e 82 (mesmo período em 2014). Em relação às outras faixas, houve diminuição dos registros, de janeiro a setembro. Em relação à Bahia também se verificou queda no registro de novos casos. De janeiro a outubro de 2014, foram notificados 619 casos, sendo 401 em homens e 218 em mulheres. No mesmo período do ano passado, o Programa Estadual de DST/Aids registrou 1.183 casos. Para a coordenadora do programa, Jeane Magnavita, a redução é atribuída, em parte, ao atraso na entrada de notificações no sistema de informação, mas também pela menor capacidade das unidades de saúde em detectar a doença ou, realmente, pela menor frequência de doentes, conforme informações do A Tarde.
O quadro registrado em Salvador não é diferente em outras cidades baianas, como em Lauro de Freitas, e os profissionais da área de saúde, portadores do HIV, seus familiares e ativistas na prevenção, combate e cuidados aos infectados da AIDS são unânimes em observar que as campanhas institucionais de prevenção à doença no Brasil, parece passar por um relaxamento por parte das autoridades públicas de saúde. Os números de portadores da imunodeficiência entre jovens e pessoas na melhor idade se multiplicam à medida que a prática sexual entre menores acontece cada vez mais cedo e sem orientações básicas sobre prevenção, o tabu que ainda existe na maioria dos lares e um modelo equivocado, acanhado e ás vezes raso de ensino sobre sexualidade nas escolas são determinantes para o agravamento do quadro nessa faixa etária. Entre as pessoas entre os 50 a 80 anos, a razão é com certeza a redescoberta da atividade sexual pelo avanço na medicina, com a disseminação do uso do viagra e outros medicamentos similares no mercado, além dos repositores hormonais para homens e mulheres e a longevidade alcançada pela população brasileira.
Outro fator tem haver com o comportamento de indivíduos portadores da doença, que negligenciam a contagem de linfócitos CD4, que se refere a carga viral que é uma avaliação quantitativa do RNA do HIV e fornece informações importantes para monitorar a infecção pelo HIV, para orientar o tratamento, para prever a evolução futura da doença e aos riscos de transmissão, ignorando os dados ou simplesmente omitem a seus parceiros sexuais, ou ainda alegam que a taxa viral está sob controle e logo sem oferecer risco de contaminação, disseminando o vírus de forma irresponsável e porque não dizer criminosa.
Por Ricardo Vieira
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